Médico do Brasil, Sucesso No Canadá

Sobre Bruno Rosa Borges MD
Dr. Bruno escreve sobre a sua própria estória de vida e insights obtidos durante sua imigração para o Canadá como médico anestesiologista.
Fique Sabendo Quando Eu Postar Novamente:
All Your Information is Protected When You Sign Up
"What do you really want?"
Written by Bruno Rosa Borges on October 9th 2016, but only finished, edited and published on April 23rd, 2020
       Recentemente aprendi que minha mãe já era "anestesista" desde os 5 anos de idade - naquela idade ela já tinha que acordar no meio da noite para proteger o sono e trazer conforto para outros. Nesse caso, a de seus familiares: na época, seu irmãozinho de menos de 1 ano (meu Tio Tona) acordara chorando frequentemente. Precisava ser ninado e alimentado pra voltar a dormir. Aos 5 anos ela já praticava maternidade e anestesia - responsável por confortar seu irmão-bebê, e preservar ao máximo possível, o sono de seus pais (“voinho e vovó Ester”), e manter a paz e harmonia de sua casa de infância. Quando viu minha cara de indignação, disse-me ela contando essa estória: "Oxe filho, isso era o 'normal'".

Minha mãe foi diretamente responsável pela tive a oportunidade que tive de vir ao Canadá pela primeira em 1994 como intercambista. Decidimos tentar um vaga de intercâmbio através do Rotary Club de Recife. Eles tinham um processo seletivo muito intenso incluindo entrevista. Antes de todo processo de entrevistas começar, havíamos decidido que o Canadá era a melhor opção. Minha mãe sentia uma “vibe” melhor pelo Canadá do que pelo os Estados Unidos ou Europa. Eu também aprenderia “de vez” o inglês, em um país sofisticado e politicamente correto mundialmente. Fiquei feliz com a escolha. Minha mãe devia ter sido vendedora. 

Em resumo, fui muito, muito mal na entrevista. Lembrando-me hoje da entrevista, tenho certeza absoluta que tive uma crise de pânico durante a mesma. Parálise absoluta frente às perguntas que me eram feitas. Não conseguia nem sequer pensar, muito menos ter a inteligência e confiança em mim mesmo de que os entrevistadores estavam procurando para representar o Brasil no exterior. Minha mãe me disse que, olhando pela janelinha, eu parecia branco e muito nervoso durante a entrevista. Mas, com muita ingenuidade, ainda tinha a esperança, fantasiava que os entrevistadores, de alguma maneira, veriam que era o nervosismo que estava me atrapalhando e ofuscando minhas boas qualidades, e eles iriam, ainda que a entrevista tivesse sido muito ruim, me escolher entre outros 50 candidatos. 

No dia seguinte à entrevista, "mainha" soube do resultado e me disse que não tinha sido escolhido para ser intercambista. No fundo ambos já sabíamos. O Rotary era a única chance. Existiam outros programas, mas eram muito caros. O que começou a acontecer depois disso foi o que influenciou a minha vida pra sempre. Depois do resultado, toda semana, durante uns 3 meses, minha mãe ligava para o coordenador do programa de intercâmbio clube Rotary. Pela conversa que eu sempre ouvia, ela apostava em desistências. A insistência de minha mãe me deu esperança de novo. Era como se ela já soubesse que ia dar certo de algum jeito. Ligando quase todo dia, ela dizia: “seu fulano, olhe, se alguém desistir, se lembre do meu filho! Ele tá animado ainda! Ninguém aqui desistiu não!”

Depois de meses de espera e ligações telefônicas de insistência, fomos muito contentes em saber - talvez minha mãe mais do que eu - que um intercambista do Paraná, que nunca conheci ou soube o nome, desistiu de seu ano de intercâmbio porque não queria desperdiçar um ano de estudo e potencialmente perder o “vestibular” daquele ano. Ele iria ao Canadá. A vaga passou, então, a ser minha. Obrigado querido desconhecido! Você mudou minha vida. 

Adiante alguns anos. Agora sou clinical fellow no St. Michael's Hospital em via aérea difícil e simulação. Esse é meu segundo ano como fellow clínico. Fellows só podem trabalhar por 3 anos no máximo aqui no Canadá. Quando esse prazo acaba, ou eles voltam pra casa (maioria), ou eles tentam arrumar um emprego por aqui. Meu grande sonho desde que assisti a palestra de uma colega de São Paulo durante minha residência, era ir pro SickKids e aprender anestesia pediátrica lá. Então, apliquei pro ano seguinte lá. Fui rejeitado de cara. Os fellows do SickKids são organizados com antecipação de 2-3 anos a diretora me escreveu em um email. A única coisa que lembrei foi da minha mãe ligando todo dia pro diretor do Rotary. Foi o que eu fiz: Toda semana escrevia para a diretora do SickKids perguntando se alguém havia desistido. E sempre pedia para ela lembrar de meu nome se alguém desistisse. Era como se eu já soubesse que ia dar certo...

Também tinha aplicado pra um emprego na província de New Brunswick e acredito que tinha muito boas chances de conseguir uma vaga lá (talvez 90%?) pra o ano seguinte também. Ter um emprego garantido no final de dois anos de fellowship é um acontecimento de sucesso raro aqui no Canadá. Um colega que trabalhava na época estava me ajudando e me orientando no processo. Estava começando a ficar com medo de ter que voltar pro Brasil e não dar certo ficar por aqui, mas ao mesmo tempo, sabia que ia dar.

O emprego fixo ou o fellowship, se acontecessem, começariam em Janeiro de 2010. Provavelmente você leitor já sabe que fiquei muito feliz de ter recebido eventualmente um email da diretora do fellowship do SickKids dizendo que alguém tinha desistido e que a vaga estava aberta, e se eu a quisesse, estaria aberta pra mim. Fiquei muito contente e sem acreditar que aquilo estava acontecendo, mas eu tinha um problema - tive que decidir entre:

1) Decepcionar o colega/amigo que estava lutando por meses pra abrir essa vaga emprego pra mim em New Brunswick e usar meu último ano como fellow clínico pra fazer um fellowship no SickKids que tinha sonhado desde o começo, sem nada de garantia de emprego posteriormente, podendo provavelmente ter que voltar pro Brasil depois do fim do fellowship ou:

2) Rejeitar a oferta do fellowship de meus sonhos e aceitar a oferta de emprego em New Brunswick e ter um emprego fixo seguro no Canadá (o que todo IMG almeja). 

Tive uma conversa com minha esposa, e, como ela é "doida" como eu, me perguntou: "What do you really want?". Não havia confusão nenhuma. O que eu queria era fazer um fellowship no SickKids. Pronto. Ela disse: "Then, it's decided!"

Com as pernas trêmulas e vontade de vomitar - mas muito entusiasmado - escolhi a opção 1. Fazer o fellowship que sonhara fazer há muito tempo.

Um ano depois da decisão, estou agora no meio do meu fellowship clínico no SickKids, sem perspectiva de emprego para o ano seguinte (não tinha a menor idéia pra onde iria depois de acabar o fellowship). Fico sabendo que um hospital (McMaster) em Hamilton (cidade vizinha da onde fiz intercâmbio) está precisando de anestesistas pediátricos, num futuro próximo. Descubro que uma das minhas staffs no SickKids tinha sido residente deste hospital em Hamilton. Peço para que ela me ajude entrar em contato com alguém de lá.  Ela imediatamente senta-se em frente ao computador e manda um email pra o "provável entrevistador" desse potencial emprego. Hoje em dia esse entrevistador é meu querido colega e amigo.  Hoje trabalho neste hospital em Hamilton (MacKids - McMaster Children's Hospital), exatamente onde sonhava em trabalhar depois do meu fellowship no SickKids.

Sempre leve em consideração what you really want. Faz toda a diferença.

Abraço Forte!!

Bruno


In The News
  • Awesome Feature - Super Cool Thing #1
  • Even Cooler Feature - Amazing Thing #2
  • And So Much More...
Share Us on Social Media